terça-feira, 16 de novembro de 2010

Suruba


Marcos, Andrade, Pedro, Augusto e Mario fizeram uma suruba. Eu não fui. Na verdade eu não fui convidado. Homens de pouco valor contam detalhes de sua intimidade amorosa, inclusive de uma suruba. Eu e todo o quartel já tínhamos escutado cinco versões da suruba que eles fizeram, pelo menos uma vez de cada participante.
Fernanda trabalhava a 5 anos na boite Babilônia. Uma noite ela estava cansada. Ninguém havia lhe pagado drinques e os clientes estavam somente carunchando. Augusto a chamou pra mesa, e lhe pagou uma bebida barata. Uma hora depois eles estavam no quarto da boite, Marcos, Andrade, Pedro, Augusto e Mario, fazendo uma suruba. Ela nunca contou a ninguém o que aconteceu.

Andrade contava mais vantagens que os outros. Ele namorou Fernanda por três meses. Não aguentou a gozação. Pedro contava seu desempenho na suruba, ele sempre se gabava. Foi desmentido e teve que se acostumar a ver Fernanda toda semana, pois após largar Andrade ela namorou Marcos e o traiu com Augusto. Todos eles contavam detalhes de suas intimidades, eu não a conhecia e achava desconfortável saber esse tipo de intimidades.

Eu namorei Isabel. Não fizemos suruba. Na verdade nunca propus uma. O Sargento Alberto que cansou de ouvir as histórias da suruba que Marcos, Andrade, Pedro, Augusto e Mario fizeram com Fernanda, resolveu namorá-la logo após que ela largou Augusto. Ninguém fazia gozações com o Sargento Alberto. Sabe como é essa coisa de autoridade, todos fingem que respeitam. Ele sempre me confidenciava suas intimidades com Fernanda. Todo o quartel sabia exatamente o que ela gostava de fazer. Mas o Sargento Alberto se dizia discreto e só confidenciava suas intimidades a mim.

Sargento Alberto era meu amigo e me chamou para ser padrinho de casamento. Marcamos um jantar de noivado para que eu e Isabel conhecêssemos Fernanda. Eu não participei da suruba com Fernanda, não fui convidado, mas me sentia como se tivesse feito parte da famosa festa na boite Babilônia. Cheguei a pensar que faria uma suruba com ela, Isabel e Sargento Alberto depois do jantar, mas não fizemos. Acho que todos queriam, mas ninguém teve coragem de propor.

Contei à Isabel sobre a suruba. Sabe como é essa coisa de intimidade de casal, é necessário, mas às vezes é muito prejudicial. Isabel me largou. Ela acreditava piamente que todo quartel sabia de nossas intimidades, assim como sabiam das intimidades de Fernanda. Nem todo homem tem necessidade de contar suas intimidades. Isabel não gostava de surubas.

Fernanda depois de contar pro Tenente Cleber da suruba, saiu da vida das boites. Passou a namorar sério com o nosso Tenente. Eles gostavam de troca de casais. Marcos, Andrade, Pedro, Augusto e Mario não fizeram mais surubas, nem nada muito interessante. Eles ficaram sem histórias para contar, então sempre contavam mais detalhes sobre a famosa suruba com Fernanda na boite Babilônia.

Isabel me surpreendeu, namorou, noivou e em poucos meses se casou com o Sargento Alberto, ele nunca me contou suas intimidades com ela. O Sargento Alberto sabia exatamente do que aquela pequena era capaz. Conversávamos muito. Ele sabia que Isabel não gostava de surubas, todo quartel sabia. Bem, ela foi minha namorada, todo quartel sabia do que ela era capaz...

8 comentários:

Tayson disse...

Quando sai o seu livro?

Teo disse...

e ae, Mumu. Genial, hein? Já peguei uma fernanda no babilônia, é ela?

Nivea Audrey disse...

Muito bom!

Rodrigo Angelozi disse...

Gostei...

vodkacomfanta disse...

Sensacional!

Ninna disse...

Muito bom!
Realmente homens de pouco valor adoram contar de suas intimidades para os outros.

beijo

Aline Patrícia disse...

Apesar de não gostar de surubas (como toda pessoa séria), gostei muito do texto, da dinamicidade do enredo...
Eu chamaria de 'salada', pela diversidade de componentes, é tanto homem que até me perdi, no bom sentido, é claro!

Cheiro :)

malu disse...

realmente existe homens e homens viu, e sempre tem aqueles que se acha contanto suas intimidades.. gostei do texto.. mas homens assim não curto..
bjkssss