segunda-feira, 28 de março de 2011

O Que Meus Heróis Têm A Dizer

Deixei novamente tudo bagunçado em cima da cama. Toda lembrança é um carrossel de sentimentos. Voltas e mais voltas. Sem fim, sem destino e nem direção. Como um velho, passo após passo eu ando por todos os cômodos da casa, procurando sem sucesso minha garrafa de vodka. A mesma que ganhei numa aposta de semifinal de libertadores. Adoro apostas. No espelho vejo meu reflexo: gordo, grisalho e levemente careca sentado na beira da cama. Os anos não me foram gentis, bem, eles não costumam ser gentis com muita gente. Nesse estado me pego pensando em Glorinha. Isso me incomoda mais do que deveria. Pois sei que na verdade não sinto sua falta. Sinto falta de algo que nunca tive. Da imagem de alguém que não é, que não foi, nem nunca será a Glorinha que eu imaginei ser. Mas essa imagem tem o seu rosto, seu hálito, seu cheiro e vaga livremente por todos os cômodos de minha casa e por todos os cantos da minha memória, escondendo minha vodka. Que merda! Pior do que querer algo que não é mais seu, é não saber quem esta certo, o Bukowski na minha estante ou o Cassiano no meu toca-discos. Glorinha, você bagunça tudo, até o que meus heróis têm a dizer.


3 comentários:

Anônimo disse...

Te amo, se precisar!:)


Téo.

vodkacomfanta disse...

Ah essa saudade do que não foi... sei bem viu... rs

Tayson disse...

ótimo texto