segunda-feira, 21 de março de 2011

Uma Mulher Na Madrugada Paulistana

De repente ela acendeu um baseado na minha frente. Não sabia como agir, era a primeira vez que alguém que eu paquerava acendia um daqueles na minha frente. Ao invés de me sentir nauseada, fiquei muito excitada. Era a coisa mais sexy que eu já tinha visto. Fiquei quieta, mas sorri de ladinho.

Estávamos entre muitos amigos. Ofereceram-me o baseado, mas recusei. Não sei viver perigosamente. Na verdade talvez nem ela, mas ela queria me impressionar. Conseguiu. Ela era muito bonita. Loira, olhos claros, lindos seios, mas quando ela se virava para pegar alguma coisa, eu ficava em duvida se era uma linda menina, ou um lindo menino. Isso me excitava. Não era um tipo de androgenia bizarra, pelo contrario era meiga e sensual. Era o suficiente pra mim.

Ela me puxou para o canto e falava comigo ao pé do ouvido. Sabia que não deveria deixar. Pensei no meu namorado e em tantas outras coisas. Não era capaz de ligar o botão mágico e não me importar com o mundo. O mundo é o que somos. O mundo nos julga pelo que vê, ou julga ver. Ela falava com a mão em meu rosto. Era um toque pesado. Suas mãos eram pesadas, mas ao mesmo tempo muito macias. O cheiro de baunilha do seu perfume me excitava. Talvez toda a situação me excitasse. Me fiz de difícil e sai para pegar uma bebida no bar. Fiquei em dúvida se rebolava ou não, meu namorado adoraria já ela, não tinha certeza. Mesmo assim rebolei, timidamente, mas rebolei.

Encostei no bar e pedi um "sex on the Beach". Senti um frio na barriga e vontade da sua boca e seu toque no meu corpo. Antes que a bebida chegasse, senti braços em minha cintura. Fiquei em pânico. Me virei e era ela. Linda e sensual. Fez questão de usar aquelas cantadas "clichê". Brincando se passou por homem. Ela aos poucos se tornava minha menina. Eu a queria. Ela tentou me beijar e eu fugi. Virei o rosto e rebolei saindo de seus braços. Ela sorriu. Um riso que me soou muito safado. Minha vontade era de agarrá-la. No balcão peguei minha bebida. Ofereci a ela, ela me disse que queria direto da minha boca. Achei a cantada muito grosseira. Adorei.

Voltei para a nossa roda de amigos. Ela veio atrás com uma cerveja nas mãos. Falava comigo com aquele hálito de cerveja. Bem pertinho do meu rosto. Sentia como se estivesse na frente de um lindo rapaz, mas o cheiro de baunilha misturado com o aroma de cerveja e aqueles seios maravilhosos, deixavam a situação clara para mim. Eu beijaria uma mulher pela primeira vez. Ela já sabia. Ela já era dona da situação e agia como tal. Me apertava e me tocava muito. Tudo na conversa era motivo para me tocar. Os homens chegam a ser grosseiros nesse tipo de situação. Ela fazia perfeitamente seu papel. Pensei novamente no Marquinhos. Não queria traí-lo. Sabia que eu não me sentiria bem. Só que não me entregando àquela situação, estaria traindo a mim mesma.

De repente, ela me puxou. Fez que me beijaria e não beijou. Fiquei absurdamente úmida. Minhas mãos suavam e eu tremia. O Marquinhos nunca me deixou assim. Estava perdida. Incrível como pensei um milhão de coisas em um segundo. Fiquei estática, mas Ellen fez uma piada sobre futebol com um dos caras da mesa. Todos riram, inclusive eu. Neste momento em que relaxei ela veio e me falou: "Sei que é isso que você quer" e me beijou. Um beijo curto. Mas que terminou com ela mordendo e puxando meus lábios inferiores enquanto tirava sua boca da minha.

Eu corei. Olhei para o chão imaginando o que todos estariam pensando. Ela, como se estivesse lendo meus pensamentos, me disse: "Eles não perceberam e pouco se importam". Me beijou de novo. Dessa vez me apertando. Puxando minha nuca e alisando minhas costas. Não havia quentura e umidade que demonstrasse o que senti. Não queria larga-la. E não larguei. Suguei cada centímetro de sua língua, mordisquei cada canto de sua boca. Ela me apertava e puxava meu corpo para o seu. Suas mãos eram fortes, tinham uma pegada sensual e possuidora. Nos largamos. Meus amigos riam. Não sei se era o baseado, se era a cerveja, se era nosso showzinho ou se não era nada. Levantei pra pegar outra bebida. Desta vez rebolei, e muito. Queria que ela visse a mulher com quem estava. Queria que todos vissem minha feminilidade.

Tivemos uma noite maravilhosa e íntima. Não seria justo contar, existe todo o segredo do que acontece entre quatro paredes. Posso dizer que foi lindo. Marquinhos esta bem. Na verdade estamos bem. Ellen também esta muito bem. Nós estamos bem. E queremos continuar bem, seja como for. Bem, quem nunca paquerou uma linda mulher na madrugada paulistana?

2 comentários:

Aline Patrícia disse...

Me surpreendeu com esse eu-lírico feminino, a narrativa segue com naturalidade, isso é bom.
A representação local contempla possibilidades universais: paquerar e se ver envolvida por uma linda mulher na madrugada acontece com uma frequência bem maior do que a que se admite... ;)

Regina Maria disse...

Difícil escrever a partir do eu feminino até mesmo para algumas mulheres, expressando algumas particularidades, sentimentos retraídos...