segunda-feira, 23 de maio de 2011

Filha Querida


Hoje terminei outro namoro. Isso é mais comum do que deveria ser. Sou uma ótima namorada, mas dizem que tenho problemas na cama. Mesmo sendo muito voluntariosa e aberta a experiências diversas, as coisas não funcionam muito bem. Comecei minha vida sexual cedo, antes dos 10 anos. Sempre fui muito desejada pelos meninos do colégio durante minha adolescência. Depois por muitos homens da faculdade, do trabalho e assim por diante. Meu corpo se desenvolveu cedo, tinha seios invejáveis já aos 12 anos. Eram muito grandes e firmes. Muita mulher feita me odiava por isso. Eu não tinha culpa. Os homens dizem que quando se começa cedo à vida sexual, isto acontece. A mulher "incha". Bem, homem fala muita besteira, bate muita punheta, pensa pouco, conclui muito, mas na verdade não entende nada de mulher. Lhe tocam, achando que estão brincando com o joystick do videogame, e reclamam porque você não goza. São um fiasco, em sua grande maioria.

Alguns homens se intimidam porque gosto de futebol. Não sou do tipo que vai somente olhar as coxas dos jogadores, sei escalar meu time perfeitamente. Conheço todos os jogadores, inclusive os eu estão no banco de reservas. Herdei essa paixão de papai, Seu Altivo. Minha primeira experiência com o futebol é confusa. Lembro pouco do jogo, mas me recordo que logo em minha primeira ida ao estádio fui encoxada durante todo o jogo. Era muito nova. Fiquei terrivelmente envergonhada, mas aquilo me causou uma confusão imensa. Sentir aquela coisa dura (pela primeira vez em minha vida), me cutucando era estranho demais. Talvez achasse até achasse gostoso na época, não sei bem ao certo. Na verdade, era estranho. Olhava para trás e não sabia bem o que dizer ou como agir, mas papai nunca permitiu que nada de mal me acontecesse.

Quando já tinha meus 13 para 14 anos, arrisquei segurar aquele pinto em riste que sempre me apertava na arquibancada. Foi bem rápido e por cima da calça. Tinha uma textura engraçada, achava que seria como segurar um dedo, mas não era. Ao mesmo tempo em que era muito duro, era meio mole, macio talvez. Na época contei para Glorinha, que chorou de tristeza. Éramos muito amigas. Seguindo seu senso de proteção, ela chegou a me ameaçar duramente, dizendo que contaria para minha mãe tudo que eu a relatava. Minha mãe falaria com Seu Altivo e eu morria de medo que isso acontecesse. O que ele pensaria de mim, sua filha querida? Nunca mais disse nada pra ela, era o mais correto a se fazer.

Quando perdi minha virgindade foi doloroso. Cheguei a ter febre por dois dias seguidos. Não tinha tesão algum quando fui penetrada a primeira vez. Lembro que sentia certo amor pelo meu primeiro parceiro sexual, mas durante o ato, me sentia sufocada. Não queria transar. Aquilo me sufocou de tal forma, que passei a pensar em minha mãe durante todo o ato. O que ela pensaria se visse aquela cena? Em desespero cheguei a arranhá-lo com muita força, mas ele não parou. Ele nunca parou. Toda às vezes era assim, quando eu o arranhava ele ia mais rápido e mais forte. Não era certo fazer aquilo comigo, mas,  nunca me culpei. Era menina, jovem demais e fui levada àquela situação. O que eu detestava de verdade ao deitar com um homem na cama, era sentir todos aqueles sentimentos confusos voltarem à minha cabeça. Todas as transas eram iguais.

Hoje terminei outro namoro. Acredito que tenha sido por problemas em nossas relações sexuais. Não sei ao certo, os homens nunca falam a verdade quando terminam conosco. Sou liberal e voluntariosa na cama, adoro uma sacanagem, mas quando eles estão em cima de mim me sinto sufocada. Desesperada eu os arranho sem perdão, até arrancar-lhes o couro.
Desde minha infância e durante toda minha adolescência, foi assim, Seu Altivo andava pra cima e pra baixo com a cara arranhada e sempre rindo. Engraçado, mamãe nunca desconfiou de nada. Se bem que pra ela, ele nunca mentiu, pois sempre disse que os arranhões eram frutos de suas brincadeiras com sua filha querida.

9 comentários:

Aranho Cardozo disse...

Wow.
Texto dificil, pesado, mas bem escrito

Dani disse...

Pesado Mumu.

Anônimo disse...

forte mesmo...

Anônimo disse...

Poucos te conhecem mas... tem algo de vc ai!kkkk

William Silva (Mumu) disse...

Realmente um texto com um tema muito complexo, mas quando o escrevi, percebi que eu deveria ter escrito mesmo!

Anonimo numero 2, realmente a algo meu aqui. O dia que eu escrever um texto sem algo meu, paro de escrever! =))

Viole†† disse...

Forte hein! :S

Julio Rodrigues disse...

maaaaaaaano... Isso superou qq expectativa minha!
Texto mto forte, complexo e muito verdadeiro...Tenho medo sobre o que as pessoas possam pensar sobre o escritor, mas tenho certeza de que se alguém analisar o texto, sem o preconceito comum, irão encontrar uma história complexa demais, que vale muita conversa.

E pra ser sincero, eu conheço mtas garotas que viveram isso, e vc conseguiu expressar muito bem as situações que acontecem por ai... parabéns mais uma vez!

lu Kruz disse...

Mumu, não conhecia seu lado escritor!!!!! Estou surpreendida positivamente com seu texto, esse foi o primeiro que li e me encantei! Algo que choca e revela outra realidade...faz questionar a normalidade que a personagem encara suas relações! Parabéns!!!!

Mumu Silva disse...

Obrigado Lu!

Normalidade? Acho que não existe uma normalidade, porém, discrepâncias tão violentas como essa são cotidianas e não deveriam ser... alguem tem que falar!