Tudo desmoronou. As palavras diretas, as autobiografias sinceras e chauvinistas, passaram a se embaralhar em rebuscados versos baseados em metáforas fundamentadas em argumentos vazios sobre bosques e gaivotas. O papel em branco não receberá uma autobiografia pornográfica, talvez nunca a tenha recebido. Não há mais paciência para lamentações, superstições e filosofias baratas de auto-ajuda.
No rádio recém-ligado os versos tomam os ouvidos: "Aqui todas as paredes são azuis, aquela mesma cor que escolhemos tudo ainda esta do mesmo jeito, apenas seu amor que hoje é menos..." - A filosofia de bordel é sincera, não há remédio para o que já está perdido. Não há porque se enfiar nos bares, eles viraram antros cheios de almas vazias e copo cheio têm em casa ao lado da vitrola que toca Milionário e José Rico, João Mineiro e Marciano, Orlando Silva, Jamelão, Nelson Gonçalves, Lupicínio Rodrigues e tantos outros.
Toda reflexão apaixonada ou rancorosa vira um texto sem escrúpulos de um coração que caminha afável, racional, sem estímulo, sem lembranças e sem paixão. E as divinas damas da noite, cujo amor nunca se finda, jamais criticam ou reclamam, pois sabem muito bem que todo homem que se preza mente e que pra esses, toda reflexão apaixonada vira um texto inocente e sem escrúpulos.

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