Com uma das mãos pressiono a descarga e com a outra ligo o chuveiro. O banheiro é minúsculo. Espero um minuto, então entro em baixo da agua quente. O dia parece começar agora com o choque do corpo com a agua. Esboço uma masturbação matinal pensando em Glorinha, mas resolvo parar, esforço e sujeira em demasia para essa hora do dia.
- Alô! Fala bonitão. E ae, te acordei?... Claro... Opa, é nóis! Mas e aquela breja hoje mano? Demorô!... Porra é carnaval... Fechô! Te pego ai. Abraço bonitão!
Tudo combinado. Entro no carro e pego Marcão em casa. Vamos em direção ao centro da cidade. Depois de rodarmos em sebos e lojas de discos, sentamos em um bar e pedimos uma Skoll. Brindamos e bebemos. Conversamos o de sempre: mulheres que não prestam, mulheres que prestam mas que não nos querem ou se querem mostramos ter conflitos internos demais pra fazer dar certo, música, literatura e um novo jornal literário, talvez O Laxante seja um bom nome para ele. Hipocrisia e sexo são os melhores assuntos para um papo de boteco, afinal esses temas caminham mais juntos do que se imagina.
Quando volto do banheiro, Marcão esta no celular. Ele me da uma piscadela de canto de olho e continua falando. Desliga o telefone e com uma risada maldosa se vira e diz:
- Chamei a Val pra colar aqui, você se importa?
- Claro que não bonitão! - Respondo prontamente.
Mesmo ela sendo casada, já havíamos se deliciado naquelas carnes abundantes e quentes, seria até deselegante contar as vezes em que nós três saímos juntos. O fato é que não deve haver pudores em uma amizade sincera, muito menos cobranças desnecessárias e egoísmo. Ficamos lá aguardando Val, até que com um perfume inebriante, levemente descabelada, de sandálias e vestindo um vestido florido e sensual, Val, aquele lindo pedaço de carne comprometido, chega. Ela vem falando alto, fazendo gracinhas, dando uma risada e chamando a atenção. Esta feliz, afinal de contas sabe que conosco conseguirá o que raramente se consegue por ai: Álcool, bom papo e bom sexo.
Os copos estão sempre cheios e há um clima de perversão no ar. O ambiente esta tomado por uma névoa sexual aguda. Nada melhor. Sinto que não estou totalmente confortável como ja estive outrora. O estranho é que mesmo não havendo novidades na situação, não conseguia relaxar, estava incomodado. Talvez a rotina dessa relação a três estivesse desgastada. Cheguei a ficar em dúvida se queria ou não participar daquela festinha de carnaval. A preguiça sempre foi um de seus maiores predicados.
Começo a rodar pela agenda do celular sem maiores pretensões e vejo o número de Nêga, disco. Ela se mostra meio resistente a principio, mas como imaginado a ideia lhe agrada. Convenhamos que a ideia é ótima, basta se permitir. Noticiei Marcão e Val, eles adoraram a ideia. Ficamos os três ansiosos aguardando a chegada da dama da noite. Nêga chega. Cumprimenta todos com um beijo no rosto, ainda tímida. Seria melhor se fosse na boca, assim já quebraria o gelo inicial. Não a critico, sou extremamente encabulado também. Ela acabou se tornando o centro das atenções.
Pedimos outra cerveja, brindamos e continuamos a papear. Marcão beija deliciosamente aquele lindo pedaço de carne comprometido. Percebo que eles olham enquanto beijo Nêga. Marcão esta claramente excitado e apostaria 200 paus que ele já deseja sentir o gosto Nêga, esse moleque é bom. Há um clima de estranho no ar, uma estranha excitação que faz com que muitas coisas malucas aconteçam: tapas na cara, choro, risadas, pedidos de desculpas, muito álcool e muita falta de vergonha na cara de todos. Com certeza a vida é feita desses elementos mais rudimentares, claramente estávamos vivendo e nada seria tão bom se não fosse desta forma.
Fomos os quatro para um quarto de hotel fuleiro. É muito fácil dizer que não nos lembramos de nada após esse tipo de aventura, mas seria hipocrisia, coisa que não tolero. Eu me lembro de cada detalhe, seria impossível esquecer que dentro de um mesmo quarto havia uma rola ruiva e uma negra, uma buceta quente, molhada e cabeluda, uma deliciosa e pervertida mulher casada, muito gemido, suor e porra jorrando incessantemente sobre elas.
Realmente para a perversão não há limites, criticas ou lamentações posteriores, você faz e pronto. Às vezes mesmo em deleite há somente um trepar mecânico e vazio que me faz recordar de uma citação do Velho Charles Bukowski: "Que merda. Tinham umas garotas bem bonitas no lugar, mas elas só olhavam e sorriam. Umas não olhavam nem sorriam. Imaginei que essas deviam me detestar por causa das minhas atitudes em relação às mulheres. Ora, vão se foder". Você raramente esta com quem gostaria de estar, mas acaba se deixando envolver porque a vida é mecânica, mas também é mágica e deve ser vivida com intensidade. No fundo o que nos resta é a sensação de estar vivo para poder aproveitar as bebedeiras, orgias e as amizades sinceras.

Um comentário:
Muito bom o conto, adorei!
Isso pq vc ainda ñ viu as Jóias Indiscretas...
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