segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

(+18) Malditas Mulheres Estonteantes!


Glorinha é do tipo de mulher estonteante e ponto final. Alta, pernas longas, boca grande, cabelos na altura dos ombros, tatuagens, um olhar marrento sob um lindo sorriso contagiante e papo inteligente. O tipo de mulher que o cara olha e admira, mas se conversa 10 minutos, gama!


Tivemos um caso. Supunha que ela pensava em mim da mesma forma que eu pensava nela. Talvez até pensasse, mas ela nunca daria o braço a torcer. Estranhamente isso me excitava mais do que deveria, mesmo me deixando pensativo tentando descobrir como fazer para que aquela mulher sentisse minha falta e tivesse necessidade de mim, assim como eu sentia dela. Ao mesmo tempo em que eu tentava fugir dela desesperadamente, pois nos meus pesadelos mais profundos ela era o passarinheiro que me prenderia na gaiola para sempre, eu corria atrás dela feito louco. É confuso, mas sabe como é a mente, não para e não tem limites.

Eu tinha um grande medo de viver uma paixão arrebatadora, fazer loucuras por um amor desenfreado e não correspondido, ou pior, correspondido. O jogo de sedução é perverso e doentio, por isso é tão atraente. Te agrada e te provoca com a mesma intensidade. Te deixa ansioso como uma menina de 13 anos, e frouxo como um rapazote de 17. No fundo, é essa besteira toda que faz com que pareçamos vivos.

Desde que Pedrinho arrebentou com o Jukebox no bar do Chico não apareço por lá. Adoro aquele bar de  assoalho rústico e remendado, juntamente com aquele balcão de alvenaria coberto por azulejos de aspecto amarelado, que já foram brancos um dia. Dentro do bar há um clima de solidão e derrotismo, os fracos como eu adoram esse tipo de lugar, por que é a vida real sendo vivida com intensidade. A tristeza e a impotência são reais, viver assim é satisfatório, pois não há pressões, só um profundo desprezo pelas lamentações constantes.

Uma boa dose daquela pinga mineira, Maria da Cruz, sentado ao lado do jukebox ouvindo Nelson Gonçalves seria o suficiente para ter meu ânimo em riste novamente. Não há muito que fazer quando aparentamos ser fortes, mas nos descobrimos fracos. Sempre sentados na beira da cama olhando aquela foto sob a penteadeira,  recorrendo à dor alheia do artista, expressada na música triste, no bolero ou no samba-canção, sempre acompanhado de um copo grande de conhaque. Pois é Nelson, o Pedrinho fodeu nosso momento. Malditos sejam Glorinha e Pedrinho!

Sem conhaque e sem Nelson Gonçalves fui pra casa. Liguei a vitrola com aquele Metallica que ela adora, não é o Nelson, mas é carregado de lembranças. Sorri e talvez sempre o faça, afinal mesmo na hora da dor, sempre há boas recordações nos menores e mais estranhos detalhes.

Com carinho pensei nela até minha última gota espessa e quente, foi maravilhoso. Doentiamente escrevi cada detalhe em contos e poemas eróticos, todos muito apaixonados, que rasguei com a mesma facilidade com que foram escritos. A mente é assim, usa a realidade como forma de inspiração para a fantasia e deixa qualquer texto sincero, mas não lhe provém coragem suficiente para suportar tal exposição.

Mesmo que a cada dia que passe eu finja que essa situação é normal, comum, corriqueira e que não mereça importância além do habitual, não sejamos hipócritas, essa situação não é comum, afinal de contas ela é uma mulher ímpar, e é impossível ser comum com ela. Jamais será. Só me resta desejar-lhe boa sorte, afinal Glorinha é do tipo de mulher estonteante e ponto final. Maldita Glorinha!


6 comentários:

vodkacomfanta disse...

Mumu, sai da minha mente por favor. Caralho. Que texto perfeito.

Mada disse...

Mumu, muito bom!!!

"A mente é assim, usa a realidade como forma de inspiração para a fantasia e deixa qualquer texto sincero, mas não lhe provém coragem suficiente para suportar tal exposição"

Muito bom mesmo!! =)

Cintia disse...

Realmente, o 'jogo' de sedução é perverso e doentio, principalmente quando encarado como um 'jogo'...

Muito bom o conto Mumu, me surpreendo cada vez mais!

Beijos!

Mumu Silva disse...

Dani, que bom que entrei na sua mente, isso já aconteceu comigo muitas vezes no "Vodka Com Fanta" tb!

Mada, somos frágeis demais... isso é complicado, não é?

Cintia, sedução sempre é um jogo, ele tem um fim, mas até alcançar ele, não passa de um jogo... cruel e delicioso!

Juliana Calaes disse...

Mumu, vc "leu" meus medos, seu sacana!!!

"Eu tinha um grande medo de viver uma paixão arrebatadora, fazer loucuras por um amor desenfreado e não correspondido, ou pior, correspondido."

Beijo.

Anônimo disse...

Mumu, faz tempo que tava pra te escrever e te dizer que já li vários textos aqui do blog, de contos a haicais. Gostei de todos mas gostei mais ainda do "O cu de uma macaca". E, olha, que eu sou pudorenta, hein. Mas esse conto é demais! Ele me fez lembrar de Georges Bataille, autor de A história do olho.
Enfim, Malditas mulheres estonteantes e o poema "Mulheres negras" não fogem à regra da boa qualidade de seus textos.
Tens agora uma nova seguidora. Estarei por aqui sempre.

Beijo!

Roberta (Rô)