segunda-feira, 16 de maio de 2011
Os Poetas Não Vivem de Sorte
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Unknown
E o poeta com os pulmões cancerosos consumidos pelos cigarros e o coração cheio de chagas de desamor, senta em sua escrivaninha, olha ao seu redor. Paredes descascadas e roupas no chão. Pensa então em sua vida e nos últimos momentos com Glorinha. Essa nem imagina no que ele estaria pensando neste momento. Ele pega o papel e escreve "I'm getting over You, then, i'll get under Her".
Essas palavras não tem qualidade literária, não serão publicadas e não haverá drama quanto a isso. A bebida o enjoa. Vira o final da garrafa no cesto de lixo. Aquele final de semana foi o último com Glorinha e dessa vez é definitivo. Terminar algo que já está terminado para ele dói tanto quanto o fratricídio. Com a diferença que um nem sempre se faz necessário.
Ele então relê a frase em inglês, suspira. Enche os pulmões doentes e dessa vez em voz alta grita, "I’ll get under Her"!
Ainda há esperança!
O poeta então amassa o papel, joga em cima da pilha de roupas e de forma insípida, sem sofrimento, sem álcool e sem dor, se levanta e sai. O Grito de "I’ll get under Her" ainda ecoa por toda a casa. Ecoa em seu coração.
Somente em seu coração.
Não será com essas palavras, nem com esse poema que ele chegará às prateleiras das livrarias, com sorte o grito ecoe até o outro coração. Bem, os poetas não vivem de sorte, mas também nunca desistem.
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Um comentário:
E nem podem desistir, somente enquanto houverem tentativas, existirá algo a se dizer. Seja para si mesmo, para as paredes ou para um mundo alheio à sua insistência - mas é preciso.
Muito bom, meu caro.
Beijo.
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